
Por questões cronológicas que apontam para o fim da pré-história, A era do gelo 4 – a deriva continental deve encerrar a franquia que já rendeu bons momentos no cinema de animação contemporâneo. Colocados em perspectiva, os quatro representam a evolução e estabelecimento de uma outra era, a do cinema digital. E isso fica muito claro visualmente. Esta quarta aventura é de uma sofisticação inédita, capaz de conciliar caricatura e realismo com resultado fascinante.
Curioso também que esse mesmo produto beba na fonte dos desenhos antigos, como clássicos da Hanna Barbera. Como não lembrar da obsessão do Coyote pelo Papa-léguas ao acompanhar as loucuras do esquilo Scrat para agarrar sua noz? Novas referências surgem neste quarto episódio, quando, por exemplo, a avó de Sid, a preguiça atrapalhada, chama por um tal “Precioso” que todos pensam ser um amigo imaginário.
Coerente com o espírito da série, a formação do planeta como nós conhecemos não poderia acontecer de outra forma, a não ser pelo esquilo Scrat, que desencrava uma noz e deflagra a mudança. O chão se abre e separa o mamute Manny de sua família. Os amigos Diego e Sid se juntam e lutam contra a natureza e um grupo de piratas para que o gigante reencontre os seus.
Questões afetivas, não apenas familiares. Apaixonada pela primeira vez, a filha adolescente de Manny não sabe exatamente o que fazer com seu sentimento por um mamute popular e topetudo. E o dentes-de-sabre Diego tenta convencer sua cara-gêmea corsária a abandonar o crime pelo amor. E Sid precisa cuidar da avó reclamona.
Pela primeira vez sem Carlos Saldanha na direção (assumem os estreantes Steve Martino e Mike Thurmeier), o longa é o mais elaborado da série, com uma narrativa cinematográfica de saltar aos olhos. Em 3D, nada de estripulias. Os efeitos são sóbrios, voltados para explorar o ambiente, o que com a sofisticação visual e narrativa com ótimas piadas, apontam para o amadurecimento de uma série que, se realmente acabar aqui, vai fazer falta.
(Diario de Pernambuco, 28/06/2012)